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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

24.Mai.07

"PATCH ADAMS"

 

Este magnífico filme inspirado em factos verídicos é uma verdadeira lição sobre o que a Medicina deve ser.

É numa clínica psiquiátrica, quando ajuda um colega, que Patch descobre a sua verdadeira vocação: quer tirar o curso de Medicina para ajudar os outros.

Mas Patch não marca a vida das outras pessoas apenas por este seu desejo de os ajudar, marca-a sobretudo pela diferença, pela irreverência dos seus gestos e pela bondade das suas palavras. Os seus métodos convencionais são pouco apreciados pelos docentes e por alguns colegas. Por exemplo, ele diverte as crianças com cancro utilizando um simples nariz de palhaço.

 

“A Medicina é mais do que memorizar factos.”

 

Patch quer saber o nome do paciente e não o número da cama, é compreensivo e simpático, quer ajudar tudo e todos. É um estudante de Medicina sempre insatisfeito, tal o tamanho da sua vontade de ajudar e a sua esperança num mundo perfeito, onde tudo é possível, até mesmo uma Medicina humanizada, sem estatutos ou diferenças.

A sua melhor amiga, Carin, pelo contrário, tem a ambição de estudar mesmo a sério, quer a bata branca, quer ser tratada por “Dra”, quer o reconhecimento devido. Com Patch, no entanto, ela verá além da Medicina que conhece, ela alargará os seus horizontes…

 

“Depois conheci-te. A maneira como ajudas as pessoas, Patch, as mudanças que vejo nas pessoas que te rodeiam…”  (Carin)

 

Nesta altura, Patch cria uma clínica para atender excedentes (pessoas com problemas legais). Recebem doentes de 3 hospitais diferentes. As pessoas agradecem imenso este gesto. A clínica está sempre cheia de pessoas que necessitam da boa vontade destes estudantes. Num dia, escasseiam as ligaduras e Patch e um amigo vão roubá-las ao hospital. Carin fica sozinha e recebe a chamada de um estranho paciente que estivera noutro dia na clínica. A meio da noite ela vai visitá-lo, a pedido do mesmo, e encontra-o muito estranho. No dia seguinte, Patch recebe a notícia do assassínio da amiga e namorada.


“Amo-te sem saber como, ou quando ou de onde. Amo-te tal como és, sem complexos nem orgulhos. Amo-te porque não sei outro caminho além deste, tão perto que a tua mão no meu peito é a minha mão. Tão perto que quando fechas os olhos adormeço.”

 

 

Ele quer desistir, nada mais faz sentido, ir embora do “hospital improvisado”. Truman lembra-lhe que desistir desta clínica é desistir dos sonhos em que acreditavam, dos ideais de que Carin também partilhou. É naquilo que eles acreditam, se desistirem tudo foi em vão.

 

“Fui eu que a matei, Truman. Ensinei-lhe a Medicina que a matou. (…) Ela ainda estaria aqui se eu não a tivesse conhecido.”

 

Mas nada parece demover Patch da sua angústia e da entrega. Porém, num determinado dia, um colega de curso que nunca gostou de Patch nem dos seus métodos pouco convencionais, dirigiu-se a ele desesperado:

 

“Não te podes ir embora, Patch. Conheces a Sra. Kennedy do 212? Não come. Visitei o seu quarto, todos os dias, nas últimas 3 semanas. Não consigo fazê-la comer. Sei tudo o que há para saber de Medicina. Estudei arduamente. Garanto-te que supero em diagnóstico qualquer médico deste hospital. Mas não a consigo fazer comer. Tu tens um dom. Tens jeito para lidar com as pessoas. Elas gostam de ti. E se fores embora, eu não posso aprender esse método.”

 

Novamente motivado a ficar, Patch continua a ter um problema: o reitor que o persegue desde o primeiro dia. Patch descobre nos registos de aluno que o reitor o acusa de “felicidade excessiva”. Utiliza isto para se queixar de preconceito num conselho da faculdade. Neste é acusado de exercer Medicina sem licença e perguntam-lhe se faz ou não tratamentos.

“Em que ponto da História é que o médico se tornou mais do que um amigo de confiança, instruído que visitava e tratava os enfermos?”

 

Patch defende-se das acusações e ao fazê-lo, não só encanta toda uma plateia, como dá uma verdadeira lição sobre os ideais que devem viver na Medicina, os valores humanos de que ela deve ser novamente inspirada. A relação médico-doente é fundamental para que a Medicina possa ser praticada e tenha sucesso. Não devemos procurar tratar doenças, mas tratar doentes, em toda a sua complexidade biológica e psicológica.

 

“Que mal tem a morte? Porque não a encaramos com humanidade, dignidade e decência? E talvez até humor? A morte não é o inimigo, senhores. A lutar por uma doença, lutemos contra uma das mais terríveis: a indiferença. Sentei-me nas vossas escolas e ouvi pessoas falarem de envolvimento e distância profissional. O envolvimento é inevitável. Todo o ser humano tem impacto noutro. Porque não queremos isso numa relação médico-doente? A missão de um médico deve ser não só evitar a morte, mas também aumentar a qualidade de vida. Eu quero ser um médico com todo o meu coração.”

 

Em jeito de conclusão, Patch mostra que aquilo em que acreditamos vai além de nós mesmos, das convenções, das regras, do que os outros querem. Os ideais em que acreditamos podem vencer todos os obtáculos que encontram no caminho. Basta acreditarmos que é possível!

 

“Podem impedir-me de conseguir o título e a bata branca, mas não podem controlar o meu espírito. Não me podem impedir de aprender, não me podem impedir de estudar. Têm uma escolha: podem ter-me como um colega profissional e dedicado, ou podem ter-me como um forasteiro, sem rodeios, inflexível. Talvesz continue a ser visto como um espinho. Mas sou um espinho que não desaparecerá.”

 

O responsável pelo conselho da faculdade e pelo destino de Patch, cede às maravilhosas declarações do estudante de Medicina e decide deixá-lo cumprir a sua vocação:

 

“Juntamente com a sua rudeza e comportamento tem um entusiasmo, uma chama que só podemos esperar que se espalhe pela classe médica como um incêndio.”

 

O filme “Patch Adams” é uma lição de vida, sobre a importância de nos darmos aos outros, para nos revermos neles e para melhor nos conhecermos e realizarmos.

 

“É por isso que quando tratam uma doença perdem ou ganham.

Se tratarem uma pessoa, garanto-vos, que ganham,

seja qual for o resultado final.”

“Patch Adams”

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